Aqui não pode o Belo!

 

Antes fosse o Belo do Soweto! Infelizmente o belo que não pode aqui é o agradável aos olhos, o limpo, com poucas interferências.

Explico.

A elaboração de projetos de arquitetura (posso dizer o mesmo dos projetos de urbanismo?) desconsidera em seu partido o perfil do utilizador. Um tipo em específico: o Gérson. Esse arquétipo esquecido por Jung  é espelho de um Brasil em transição, já com hábitos modernos e civilizados, mas ainda ligado, como que por um cordão umbilical, a hábitos precários de um país lutando para crescer.

Os Gérson não são maioria. São fração menor (não mais que um décimo), mas trazem impacto substancial e vinculam a qualquer equipamento de uso comum (garagens, piscinas, salões de festa, etc.) a imagem de descuido e desorganização. Impossível culpar a gestão do condomínio se os equipamentos foram concebidos sem considerar esse tipo de usuário tão danoso ao convívio em sociedade.

Demarcações de vagas de garagem não são suficientes, infelizmente, para que esse resquício de um Brasil que gostaríamos que ficasse para trás, entenda que, ainda que “caiba” outro veículo, a circulação não é individual e não deve ser individualizada. O resultado? Tubos preenchidos com concreto poluindo visualmente a garagem e a sensação de estarmos em um cercado de bebê.

Ainda sobre vagas, vagas externas feitas com concregrama e separadas por paisagismo em grama e pequenos arbustos são um jeito perfeito de “criar” novas vagas destruindo a vegetação e o paisagismo.

Destrói-se o Belo sempre que confrontado com qualquer capricho individual.

A responsabilidade, ainda que cause pesar apontar, é do arquiteto/paisagista responsável pela concepção. Erra-se em pressupor o usuário quando da definição do partido. É amargurante ver que pensamentos como “não seria uma boa pensar em guarda-corpo para forçar a passagem no lava-pés da piscina?” não podem ser substituídos por “vamos tirar os obstáculos verticais e dar uma visão mais limpa às pessoas que estão tomando sol deitadas próximas à piscina?”.

A realidade, nesse caso, é amarga e ignorá-la dá origem a condomínios prontos para tornarem-se os mais belos cenários de brigas entre condôminos, baixa percepção de qualidade e altos custos com pessoal e segurança. Prejuízo de todos.

O erro do projetista é, nesses casos, solidariamente assumido pelo condomínio que, carente do conhecimento de um bom arquiteto, implementa soluções inadequadas (como os tubos com concreto na garagem) para sanar problema nascido quando da concepção do projeto.

Nesse ponto, à esquerda, vemos a estrada da Operação Condominial tangenciar nosso caminho. Estando tão perto, é de se pressupor o curto trajeto na elaboração de post a esse respeito.

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