A culpa é do arquiteto?

Não. Por mais que pareça, e que esse seja o ator mais evidente no processo de elaboração de um edifício, a culpa poucas vezes é dele.

Arquiteto é o profissional cuja principal função é materializar as idéias do empreendedor em relação a dado empreendimento. Um trabalho um tanto árduo se o profissional não for provido de informações de boa qualidade ou direcionado no transcorrer do processo. É comum ver empreendedores solicitarem “um três quartos de padrão médio”. Ora, quantos milhares de prédios existem com essa configuração? Será que qualquer um serve? Certamente não.

Brief significa “breve”, em inglês. A palavra briefing é uma derivação que indica a sumarização de determinado assunto, em linhas gerais. O briefing de arquitetura é a melhor maneira de definir para o arquiteto o que se espera do seu trabalho. O briefing pode ser tão detalhado quanto quiser o empreendedor, e quanto mais, melhor. Certamente os arquitetos julgam que esse detalhamento cerceia seu processo criativo. É exatamente essa a idéia.

O detalhamento do projeto na fase de briefing permite ao empreendedor moldar o produto final da melhor forma possível para o mercado a que se destina. Do arquiteto, espera-se criatividade, dentro dos limites e direcionamentos conceituais emitidos pelo empresário.

Ainda que tenha dificuldade em traduzir, o empreendedor sabe o que quer em sua imaginação. O agravante é que, via de regra, o empreendedor tem pressa, e tende a aceitar projetos sem realizar avaliações técnicas ou conceituais mais detalhadas. Forma-se o embrião da insatisfação: do empreendedor e, muito pior, dos clientes.

Em sendo assim, ainda que o empreendedor não defina claramente o que deseja no briefing de produto, não se pode eximir o arquiteto de qualquer responsabilidade por erros na elaboração do projeto. O projeto precisa atender às demandas do empresário, dentro de certos padrões de qualidade. Excesso de área comum, garagens mal planejadas, cômodos mal alocados, especificações incoerentes (gerando contrastes de alto e baixo padrões de acabamento), excesso de área de fachada, são apenas alguns dos erros mais comuns cometidos por esses profissionais.

Ainda assim, existem ferramentas ao alcance do empreendedor que permitem a avaliação de diversas dessas características. Um exemplo é o cálculo do AEt/APt. O índice aponta quanta área “não privativa” (não vendável) existe para cada m² de Área Privativa. Com isso o empreendedor pode medir se o projeto está “gordo” (com excesso de áreas comuns, circulações, etc.) ou “magro”. O empreendedor pode, ainda, definir que, em um três quartos de padrão médio, a proporção ideal entre AEt/APt gira em torno de 1,25. O número dá referência para avaliar o projeto de arquitetura, tornando mais objetivo o desenvolvimento de produto.

Em consonância com o post anterior, ainda que haja pressa para a execução do empreendimento, o desenvolvimento do produto é, (que não me ouçam os engenheiros de obra) a fase mais importante, e de onde decorrem, todas as outras fases do empreendimento. Uma obra bem feita é, sem dúvida, importante. Obra bem acabada é, entretanto, uma commodity. Um produto bem elaborado não é só mais um prédio, é O prédio.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: