Pressa, Pressão e Gerenciamento de Projetos

O mercado da construção civil vive sob pressão. Vivemos um aquecimento da demanda, arrisco dizer, nunca visto no Brasil. Como a oferta de terrenos em Brasília é limitada e a oferta leva, pelo menos, 10 meses para encontrar a demanda, os preços sobem, e sobem a níveis nunca antes vistos.

O preço por m² de Área Privativa no Guará, cidade satélite de classe média de Brasília, dois anos atrás, era de R$ 1.715 em uma boa localização. Esse preço, hoje, transborda a fronteira dos R$ 2.700 em localizações tidas como medíocres. No sudoeste, bairro de classe alta da mesma cidade, em que os preços giravam em torno dos R$5.000 a R$6.000/m², vendeu-se um empreendimento a exorbitantes R$10.000 por m². Aumentos dessa magnitude têm efeito proporcional na pressa dos empreendedores em lançar seus empreendimentos. Como resultado, torna-se comum iniciar as obras com planejamentos deficientes e com falta de projetos.

Quem trabalha com a construção já acha isso comum. Chega a parecer perda de tempo esperar por todos os projetos antes de iniciar a obra, já que, quanto maior a demora para iniciar a obra, mais tempo leva para que gere receita. Assim como o VGV, isso é um sofisma.

Falhas em planejar a obra e falta de tempo para compatibilizar projetos geram custos que, como não são vistos diretamente, parecem não existir. O tempo e o dinheiro gastos na execução e compatibilização dos projetos evitam os custos de remanejamento de instalações, posicionamento de elementos da estrutura e, em casos extremos, a re-locação de elementos da fundação.

Além dessa “troca” de pouco tempo e “pouco” dinheiro (já que os projetos representam 2% do custo de construção e seriam gastos de qualquer forma) por mais tempo (executando novamente tarefas) e muito dinheiro (pagando novamente por elas), há o desgaste e queda na produtividade dos engenheiros e do pessoal responsável pela execução da obra. O trabalho do engenheiro, em uma obra mal planejada, deixa de ser o de coordenador do projeto para um resolvedor de “pepinos” de compatibilização. “Aonde vai a caixa de energia? Em que local essa tubulação vai passar? Para onde vamos deslocar esses pontos de energia?”. Um conjunto de projetos bem elaborado evita todo esse desgaste e, em tempos de poucos engenheiros no mercado, a empresa se beneficia de um recurso humano capaz de gerar melhores resultados.

Ao contrário do jargão que estamos acostumados a usar, projeto não é sinônimo de “planta”. Projeto, segundo definição do PMI (Project Management Institute – Instituto de Gerenciamento de Projetos, autoridade mundial no assunto), projeto é “…um esforço temporário para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo.” (Project Management Body of Knolowedge, 3th Edition, 2004). Essa definição abarca a obra e abarca nossas “plantas”, vai, todavia, muito além disso. Essa definição estende-se da concepção do produto à entrega ao cliente, planejando e controlando cada etapa com mecanismos pré-acordados, como gráficos de Gantt e mapas de uso de recursos. Dessa forma, o tempo requerido para cada atividade pode ser definido e, mais importante, respeitado, evitando o comum atropelamento das fases de planejamento em benefício de uma execução apressada.

Aproveitando que o mercado está aquecido, e que as margens são polpudas como poucas vezes foram, deveríamos parar e repensar se estamos utilizando os recursos da melhor maneira. À medida que os tempos mudam, a forma “como sempre fizemos” passa a ser, na melhor das hipóteses, pouco eficaz. Aproveitar soluções que já existem e já estão desenvolvidas torna-se uma maneira barata de lidar com um grande volume de empreendimentos sem gerar um excessivo desgaste em toda a organização.

Uma resposta a Pressa, Pressão e Gerenciamento de Projetos

  1. Bruno Camarano diz:

    Pior do que falta de projeto é quando voce tem um projeto ruim, ou um projeto que é praticamente impossivel de se fazer, ou ainda um projeto que é revisto pelo projetista depois que ja foi feita em campo, dai sim o retrabalho pega com força hehehehe

    bem legal esses seus textos aqui hehehehe
    abraço

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