SWOT é remédio para quê?

Introduzido na década de 60 e “abraçado” como o caminho para a salvação estratégica das empresas, a metodologia do Planejamento Estratégico ainda hoje possui milhões de adeptos. Tal adesão não é sem motivo: um conjunto de passos, formulários e questionários capazes de direcionar uma empresa rumo ao lucro e ao sucesso!

Nota do blogeiro: parece maravilhoso! Aonde compro e qual é a posologia desse remédio milagroso?

O processo do Planejamento Estratégico é proveniente de escola de estratégia conhecida como Escola do Desing, segundo classificação definida por Mintzberg em seu livro (Strategy Safari, 1998). A formulação estratégica, segundo a premissas da escola, busca a melhor compatibilização possível entre as características da empresa e do ambiente ao seu redor. Para alcançar os resultados esperados são realizadas análises internas e externas passando por ítens como ritmos econômicos, sociais, políticos, e tecnológicos.

Algumas premissas assumidas pela própria escola, entretanto, ceifam sua capacidade de gerar resultados. Parte-se do princípio, por exemplo, de que estratégia é proveniente da análise (quebra) de dados e da busca de tendências dentro desses dados.

O próprio Mintzberg, em seu texto  The rise and fall of the strategic planning (a acensão e a queda do planejamento estratégico), aponta esse processo como função da “programação” estratégica, e não como “pensamento” estratégico. A razão, segundo o texto, é que o processo de concepção estratégica possui muito mais de síntese do que de análise. Explico. O que a maioria esmagadora dos “planejadores” da escola de design faz é seguir um roteiro de avaliações, partindo do mais amplo (negócio, visão, missão, valores) ao mais específico (análises SWOT, PESTLE, CTI e outras siglas parecidas com remédios para hipertensão). Para esses profissionais, bastam as informações levantadas nesse processo para que, como em um brinquedo “Lego” as peças se encaixem e saia a estratégia pronta. Os dados com que trabalham são frios. Aborda-se processos, não pessoas. Em nome da busca pela maior quantidade de dados torna-se tudo o possível em números e tendências.

Mintzberg, e o humilde blogueiro que lhes escreve, não creditam a esse processo a capacidade de desenvolvimento de uma estratégia empresarial eficaz.

Formulação estratégica, segundo uma linha de pensamento alternativa, que não faz parte do mainstream acadêmico, é um processo que se apoia no “hard data” (dados de pesquisa, como índices de venda, de preços, tendências econômicas e sociais) tanto quanto no “soft data” (o conhecimento proveniente do “ouvi falar”, das pessoas que executam os processos, de visitas a campo, ou, em outras palavras, de sujar as mãos). Segundo essa linha, o estrategista é a pessoa capaz de sintetizar essas duas fontes de dados por meio do uso da criatividade, da experiência passada e, principalmente, do feeling.

No setor da construção, principalmente, o feeling do executivo parece ser condição indispensável ao sucesso da empresa. Olhar para um terreno e “saber” que tipo de empreendimento executar parece ser o melhor exemplo disso. Ainda não ví empresa em que o executivo só decida a tipologia depois de receber uma pesquisa de mercado e verificar as tendências de crescimento e retração de cada segmento.

Unir bloquinhos e seguir receitas pré-prontas de remédios prescritos por gurus famosos nunca levou companhia nenhuma a outro lugar que não à mediocridade. Seguir essas receitas limita a criatividade e torna o processo duro e burocrático. A utilidade da escola de design, entretanto, é inquestionável como primeiro degrau para empresas que não possuem uma cultura voltada à estratégia. A formalização trazida pelo modelo pode ser interessante em um primeiro momento, devendo ser abandonada assim que possível.

2 respostas a SWOT é remédio para quê?

  1. […] último texto sobre o tema fiz duras críticas à adoção da escola de design por empresas de consultoria que usam o […]

  2. […] para a história da humanidade do que o normal e previsível.  Voltemos por um minuto ao post sobre o milagroso SWOT. Nele, Mintzberg afirma que a formulação estratégica não deve ser atividade realizada em hotéis […]

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