A Crônica da Cabeça que não via os Pés

No post sobre burocracia, foram enfatizadas as diferenças entre os ambientes de trabalho existentes nos escritórios centrais e nas obras das incorporadoras nacionais.

O uso de metodologia sugerida por Gareth Morgan (Imagens da Organização, Atlas, 2002) para avaliação do contexto em que estão inseridas as organizações aponta a diferença comentada. Nas obras, percebe-se um ambiente estavel, com objetivo único (levantar o prédio), uma cadeia de poder bem definida e estabelecida, bem como um tipo de trabalho uniforme. Nos centros administrativos das incorporadoras, a situação é um pouco diferente. Não impera a adhocracia típica das agências de publicidade, nem o organização em redes, como em montadoras Suecas. A estrutura burocrática ainda é presente, entretanto, tende a uma configuração mais orgânica quando comparada às obras. Os objetivos já não são mais únicos, havendo, ao menos, dois ou três grupos de interesses distintos em jogo. A cadeia de poder é estabelecida, mas se distorce na criação de “forças-tarefa” para implementação de processos ou coordenação de projetos. O trabalho rotineiro é uniforme, como na obra. Situações emergentes, entretanto, requerem evoluções no padrão do trabalho, e, frequentemente, rotinas são questionadas e redesenhadas para melhoria do desempenho.

A separação geográfica só acelera o inevitável: formam-se dois mundos estanques. A equipe administrativa, que, em função do isolamento, percebe um fim em si mesma, e a equipe das obras, que progressivamente recebe do escritório coordenação e serviços de qualidade decrescente.

O tipo de relação existente entre essas duas organizações é simbiótico (uma depende da existência e bom funcionamento da outra). Ainda que alguns digam que “o escritório não existe sem a obra, mas a obra existe sem o escritório”, pode-se retrucar dizendo que sim, a obra existe sem o escritório. Acabada a obra, entretanto, estarão todos sem emprego, pois é necessária estrutura administrativa para captar novos negócios, gerir recursos e evitar intervalos entre obras que induzam à demissão de trabalhadores.

Boas medidas de endomarketing, entretanto, são capazes de reduzir esse distanciamento existente entre os dois mundos. O intercâmbio de funcionários (mesmo que em periodicidade espaçada) e de informações (tanto por meio escrito quanto por fotos e vídeos), ajudam a sensibilizar quanto as necessidades e dificuldades de cada ambiente.

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